quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Meu amigo deprimido...

Um amigo ou amiga tem algum problema psiquiátrico, não está legal, e você não sabe se pode ou se é possível fazer alguma coisa para ajudar.

Sim, é possível.

A primeira coisa é abrir a sua cabeça para entender que não é frescura, ou muito menos um demônio que está na pessoa. Conseguindo ter este nível de racionalidade, começamos bem.

Segundo, é você estar disposto a conversar com essa pessoa, só que mais ouvir do que falar. Ouça. Mesmo que seja a mesma coisa que você já ouviu antes, ouça. Isso pode estar de forma violenta angustiando a pessoa em depressão por exemplo. Falar alivia, faz bem. É sempre bom ter alguém com quem falar, colocar para fora.

Mas...

Ao ouvir, evite frases como:

Vamos lá, sai dessa! (a coisa que a pessoa mais quer é estar fora dessa, ela não está desse jeito porque quer, e não é seu apoio dessa forma que vai fazê-la sair da situação)

Você tem uma vida boa, tem gente em situação muito pior que a sua! (essa dói. O doente com depressão tem um sentimento de culpa gigante por não entender o que tem e por que tem, e tem a certeza na cabeça dele que está incomodando a todos a sua volta por causa disso. Falar isso não ajuda de jeito nenhum.

Eu poderia elencar outros aqui, mas tem um site da Medley que tem lá as 9 COISAS PARA NÃO DIZER A ALGUÉM COM DEPRESSÃO[1] . Recomendo, e é bem bacana.

Ao doente, eu quero reforçar contigo que tem uma saída e que vai melhorar. Vai por mim, jogamos no mesmo time. Procure um médico, procure um terapeuta, tome seus remédios religiosamente no mesmo horário e as coisas vão melhorar. Tente ter um amigo de confiança, alguém que vai te ouvir – às vezes – chorando, que não vai te julgar, e que vai te ajudar com uma palavra amiga e não vai te expor. Torço para que você tenha esse amigo. Faz falta não ter um estando normal, sob efeito da crise, mais ainda.

Ao amigo do doente, espero que tenha lido o site da Medley que eu indiquei aqui. Vai lhe ajudar muito.

Seu amigo está com problemas que, você nunca vai conseguir entender (tomara) e precisa da sua ajuda. Ouça. Simplesmente ouça. Se for a mesma coisa de outro jeito, ouça. Quando vier a abertura, ai sim faça o uso da palavra. Tente, mesmo que seja quase impossível, se colocar no lugar de seu amigo, que pode estar com uma primeira crise de depressão, ou pânico por exemplo, e não faz ideia do que é e está extremamente assustado, desesperado, e sem saber o que fazer, precisando de uma orientação como ir ao médico por exemplo, e talvez até precise que você o leve.

O teu papel de amigo será fundamental no processo de melhora e por que não, da cura.

A relação de amizade é capaz de ajudar a identificar gatilhos e outros sinais importantes que o doente sozinho não consegue perceber e dai se não tratado em tempo, pode vir a desencadear uma crise mais severa da doença, por exemplo.



[1] https://www.medley.com.br/podecontar/quero-ajudar/o-que-voce-nao-deve-dizer-pessoas-depressao

terça-feira, 1 de novembro de 2022

O bipolar

Na minha ultima postagem, eu falava sobre ter sido diagnosticado como bipolar. Ao tempo que por um lado eu vi que tinham descoberto algo novo que eu não ouvia em mais de 10 anos, eu pensei: “e agora?”

Então... o agora é melhor do que o passado, do antes de ser diagnosticado como bipolar. Porém, ainda não é uma maravilha.

De tempo em tempo recebo visitas do cachorro preto, porém, com a experiência adquirida, consigo perceber a sua chegada com certa antecedência, e corro anotar e, a medida que os fatos começam a se tornar recorrentes, relato ao meu psiquiatra e isso acaba refletindo em uma alteração de dosagem de medicamentos, na troca de algum ou em último caso, na inclusão de algum outro.

A realidade é: os picos ficam cada vez mais intensos à medida que não fazemos nada com os sentimentos, daí pode ser tanto no sentido de emocional como físico, acontecem. Você se manter sempre alerta aos sinais que sua mente e seu corpo dão e a ação prévia com seu médico, é o que vai dosar a intensidade do pico de mania ou de depressão que você vai enfrentar.

Estou sempre atento à sinais de nervosismo em excesso em especial com coisas sem motivo, respiração com suspiros fortes durante o dia sem que nada tenha acontecido, da mesma forma que me sentir fragilizado emocionalmente com coisas sem importância e também, eventuais calafrios na nuca e couro cabeludo ou sensação de medo sem estar em situação de risco.

Eu acredito que tudo isso seja variável de pessoa para pessoa, mas, cada um se conhece e sabe o que é normal ou não. Eu por exemplo, estou passando por uma das fases não legais. O que senti? Tudo isso ai que escrevi. O que estou sentindo? Uma tristeza moderada, uma vontade de não estar em lugar nenhum, e as pernas totalmente inquietas. Estou ainda em fase de adaptação dos medicamentos em função dos ajustes que o médico fez.

Tenho na minha cabeça que eu poderia estar pior, talvez em um pico de depressão profunda se não tivesse agido em tempo e lá no começo, quando eu escrevei que ainda não é uma maravilha, é verdade... ainda mais quando se tem família em casa, amigos no trabalho e você quer dar o máximo de uma pessoa alegre que um dia foi e não consegue, isso machuca a gente e até prejudica no tratamento. Mas, não podemos baixar a guarda.

Nossa, mas além de ter isso, tem que tomar remédio e ficar adivinhando o que vem? Sim. Infelizmente, os transtornos psiquiátricos não são iguais a uma diabete, que não é menos grave, mas pelo menos tem um “aparelhinho” que o doente mede os níveis de insulina...

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Voltei. Agora, bipolar!

 

Vou ser sincero: eu não me lembrava deste blog.

Na minha última sessão de terapia, minha terapeuta comentou comigo e perguntou por que eu não fazia algo para ajudar, escrevendo minhas visões sobre a depressão, sobre o pânico, a ansiedade e etc, e então eu me lembrei que um dia eu já tinha começado algo assim, que era o CONVIVA COM A DEPRESSÃO.

Mas é muito tempo desde a última postagem. São mais de 06 anos.

Neste meio tempo, em 2018, tive uma recaída bem forte, uma sem nenhum gatilho (problemas no trabalho, problemas financeiros, relacionamento e etc), nada.

Foi uma recaída bem forte, que eu classifico como talvez mais forte que a primeira, porém, agora, eu sabia tudo o que vinha pela frente e estava mais preparado para enfrentar a tempestade.

Na ocasião, uma decisão minha foi muito importante para que o jogo virasse: me lembrei do vídeo do cachorro preto (em 2014 postei aqui sobre ele), e comecei a anotar tudo o que me vinha à mente nos momentos de queda. Tudo. Inclusive o que tinha acontecido antes de eu ter a queda e o que viria após a queda, tentando traçar paralelos para resolver aquilo tudo.

Foram dias de luta. Dias de lutas muito intensas e que só eu tinha condições de entender e saber o que eu estava passando naquele momento.

Tive a consulta com meu psiquiatra, e levei o bloco de anotações, e comecei a ler tudo o que eu tinha anotado, quando ele iniciou uma serie de questionamentos, testes e etc, e então comentou que ele achava que eu tinha um diagnóstico errado como depressão, porque o que eu tinha na
realidade era transtorno afetivo bipolar.

Da primeira crise até este diagnóstico, passaram 11 anos, e, sim, pelo que pesquisei, o diagnóstico para transtorno bipolar não é da noite para o dia e em média leva seus 10 anos para que ocorra.

Os medicamentos foram alterados e, com o passar dos dias, depois de 11 anos, a sensação de uma pedra de uma tonelada no meu peito todos os dias, o dia todo foram embora.

Diferente do que os leigos brincam/falam sobre a bipolaridade, não é algo que você está sentindo frio e de repente calor ou algo do tipo.

Existe muita coisa na internet, ruim e muita coisa boa. Temos de saber diferencia-las. Para uma boa explicação simples do que é o transtorno bipolar encontrei este texto:

Distúrbio associado a alterações de humor que vão da depressão a episódios de obsessão.

A causa exata do distúrbio bipolar não é conhecida, mas acredita-se que seja influenciado por uma combinação de fatores como genética, ambiente, estrutura e química do cérebro.

Os episódios maníacos incluem sintomas como euforia, dificuldade para dormir e perda de contato com a realidade. Já os episódios depressivos são caracterizados por falta de energia e motivação, além de perda de interesse nas atividades cotidianas. Os episódios de alteração de humor podem durar dias ou meses e também podem estar associados a pensamentos suicidas.

O tratamento costuma ser necessário por toda a vida e geralmente envolve uma combinação de medicamentos e psicoterapia.[1]

Em resumo, a orientação que:

Não é frescura;

Você é humano e tem direito a ficar doente;

Infelizmente as doenças psiquiátricas não são como uma gripe, que você toma um comprimido agora e daqui a pouco está melhor; é preciso paciência, persistência e acreditar no seu médico/tratamento;

Tenha um amigo em quem confiar e se abrir;

Anote tudo o que pensa, por mais idiota que pense que é e faça associações. Leve isso ao seu(a) médico(a) / psicólogo(a). Não é inteligente da sua parte, esconder informações ou contar mentiras ao profissional que está tentando te tirar do problema (pense seriamente nisso).

 



[1] Pesquisa Google: https://www.google.com/search?q=o+que+%C3%A9+transtorno+bipolar&rlz=1C1GCEA_enBR1012BR1012&oq=o+que+%C3%A9+transtorno+b&aqs=chrome.1.69i57j0i512l6j69i60.6798j0j7&sourceid=chrome&ie=UTF-8

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Quem manda na nossa mente, é a gente!!!

Era agosto de 2007, eu tinha 28 anos e 04 meses. Pouca idade, uma séria de histórias vividas, uma série de desafios passados, onde boa parte deles foram um estopim de algo terrível que estava por vir para uma mente ainda não preparada, que, mesmo já com bom tempo em construção, sequer tinha seus alicerces construídos: depressão.
A ideia do texto não será construir um vitimismo barato, ou buscar a pena de ninguém. Daí acho desnecessário entrarmos a fundo nos motivos que me levaram ao quadro da depressão, e posteriormente, à síndrome de pânico. Mas foram momentos que não desejo a um inimigo (se é que tenho).
Para mim, que vivia acostumado aos tropeços cotidianos, não ter sono a noite, e, quando conseguia dormir acordava sem motivos no meio da noite e com os olhos arregalados, sentava na cozinha esperando o sono vir, com batimentos acelerados, tudo isso era normal, afinal, "o dia tinha sido difícil no trabalho".
Eram sinais.
Enfim, tudo veio, e se você não tem noção do que é ter depressão e pânico, vou tentar usar exemplos bem próximos da prática que possa ter acontecido um dia na sua vida, e vejamos se eu vou conseguir dar nexo ao que é inexplicável ao leigo: tudo se torna uma mistura de um medo absurdo de algo que você não sabe o que é, e que, quando passa, você tem medo que volte de novo e pronto, volta e o medo é maior que da última crise. É um círculo vicioso criado pela sua mente. Neste caso estou falando apenas do pânico.
Da depressão? Bom, esta é uma tristeza semelhante aquele fim de relacionamento quando você era um adolescente, onde sente um aperto no peito e uma angustia sem fim, onde tudo que consegue fazer é chorar. Com a diferença que você não perdeu nenhum relacionamento, ou ente querido. Daí surge um novo círculo vicioso: por que estou assim? Eu tenho saúde, tenho trabalho, tenho amigos, tenho saúde, não devia estar assim, e quando você vê envolvo às cobranças que você cria em cima de tudo isso, bingo! Sua tristeza é maior ainda, pois você "percebe estar fazendo mal as pessoas que quer bem, sem que tenha nenhum problema".
É muito provável que você tenha voltado no texto umas duas vezes para tentar entender o que foi escrito. Se isso aconteceu, é porque você nunca esteve nem perto de uma depressão ou pânico. Se voltou, leu e continua querendo voltar porque ainda não entendeu, desista de voltar. Você não vai entender.
Agora, se você leu, entendeu na primeira e sentiu como se fosse você quem estivesse escrevendo, estamos juntos. E tenho boas notícias: está na sua mão sair disso tudo.
Li muita porcaria na internet durante o período desesperador que é o que você está mal e não encontra a cura, ou a melhora para seu quadro. Minha ideia neste texto é mostrar quem manda em quem, e o poder da determinação e força de vontade nossa em nossas vidas.
Acredite, eu levei mais de 06 anos para conseguir. Neste tempo, acordar era querer dormir, dormir era não querer acordar, e viver era querer estar em casa dormindo.
Tudo isso, construção da mente. Algo está errado, e ela está mandando em você.
Neste período, eu que era uma pessoa que praticava muitos esportes e tinha relativos hábitos saudáveis, desisti de tudo isso, e me entreguei ao sofá e a cama, que era o que me dava calma e conforto até esperar que a noite viesse e que eu pudesse torcer para que ao acordar no dia seguinte eu não sentisse e passasse por tudo aquilo de novo. Engordei mais de 40 kg.
Cheguei ao ponto de não conseguir me olhar no espelho. Cheguei ao ponto de além de não me olhar no espelho, "comer para afogar as mágoas".
Com 1,8m de altura, 135kg de peso, passei por alguns problemas de saúde, afinal, era obvio que isso ia acontecer. Foi o estopim para que eu tomasse algumas decisões, e que isso fosse então um marco para mim, onde eu comecei a aprender que, "quem manda em nossa mente é a gente".
Eu precisava fazer algo. Era notório. Resolvi então me matricular no judô. Sim, justamente no judô, um esporte que é uma luta, onde os treinos são extremamente fortes, onde o kimono é pesado e quente, e onde todo santo dia que eu pensava que eu tinha de ir, me dava uma pequena crise ainda dentro do carro e eu quase desistia. Mas não. "Quem manda na nossa mente é a gente". Era uma mensagem automática para a minha cabeça. Chega a ser engraçado, mas imagine eu, sentado dentro do carro, conversando comigo e dizendo: "-você vai. Você não manda em mim. Você está gordo, você precisa, e vai entrar naquele dojo, vestir o kimono, ralar e provar pra você quem mandar nisso". Funcionava. Até o treino começar, era o caminho do calvário que eu percorria.
Mas, percebi que estava funcionando.
Até que, no começo deste ano, decidi que eu tinha um novo desafio a fazer para mim: voltar a me olhar no espelho. Para isso, eu tinha quase 40kg a perder. Pesquisei, fui atrás, e comecei um tratamento médico com nutrólogo e nutricionista. Só Deus, eu e minha esposa sabe como tem sido nos últimos 3 meses para mim, em especial a frase "quem manda na minha mente sou eu".
Tenho comido coisas que nunca comi, tenho me deixado de comer coisas que adoro tudo por um foco, uma meta que tracei para mim, que era perder os 40kg.
Em 3 meses, foram 18kg. Sendo sincero? Os 40kg é a parte exigente de mim que quer. Fico feliz se forem 35 embora.
Moral da história?
Foco, metas, desafios e zero vitimismo.
Se estou com depressão e pânico, vou pesquisar e vou buscar auxílio profissional de psiquiatra, psicólogo e remédios (eu vou ao médico regularmente e tomo medicamentos até hoje, sem problemas, vivendo uma vida normal).
Se minha saúde apresenta problemas, e eu estou a fim de ficar sentado no sofá comendo bobeiras e etc, a responsabilidade é minha. Poderia estar fazendo um esporte e segurando a onda da porcaria para o fim de semana. Se estou gordo e só sei falar que "não sei por que sou gordo", é uma opção também.
Mas na boa? Se desafie. Faça a pergunta para você sobre quem está mandando, se é você ou sua mente.
O jogo pode ser mudado. Basta querer. Não a sua mente, mas você!!!

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Persistência e paciência

Mudanças de rumos. Confiança e coragem.

Um dos pontos decisivos que você deve ter quando está se tratando com um psiquiatra, é de fato se ele é bom ou não.

Como avaliar isso? Vai puramente do seu sentimento. Não tem como ser outro jeito.
Mas, isso tem que ser com cautela. Uma coisa é um psiquiatra que te diz o que você precisa ouvir e isso vai contribuir para sua evolução, e outra é o chamado "professor de Deus", aquele que sabe tudo, conhece tudo, está tranquilo da situação, mas, não consegue evoluir no seu tratamento e vocês estão andando de lado já há algum tempo.

Fazendo um adendo, o tratamento psiquiátrico, por via de regra, é lento, não é algo que você abre a cabeça, coloca um chip e muda a programação. Estamos falando da química cerebral. E isso leva tempo para se analisar. O tratamento é: tentativa e erro versus tentativa e acerto.

Você tem que estar atento quão humilde sua/seu psiquiatra é para assumir o erro ou o atraso, e qual sua flexibilidade para responder perguntas suas que podem sim ter sido trazidas do "Doutor Google" ou não.

Eu tive meu quadro diagnosticado como depressão e síndrome de pânico, em agosto de 2008. Até fevereiro desde ano, depois de 5 psiquiatras, tive a sorte de encontrar um, que reconheceu estar seguindo uma linha de tratamento conservadora e que, gostaria de ousar, uma vez que ele acreditava que, uma tratamento de quase 07 anos sem muito sucesso - a tristeza e aperto no peito nunca iam embora - e se eu aceitaria uma mudança, embasado no que ele vinha estudando nas nossas consultas/conversas há alguns meses: ele achava que, meu quadro não era depressão e pânico, mas sim, transtorno afetivo bipolar.

O antes eu via tratando com uma linha de medicamentos, mudamos para outra diferente e hoje, estou me tratando com Depakote, retirando o Alenthus e mantendo o Rivotril, e tenho percebido muito a mudança. O que nos fez acreditar que, de fato, nossas discussões quanto o transtorno afetivo e não a depressão estavam certas.

Acho que o tempo da tentativa e erro não acabou ainda. Mas o da tentativa e acerto começou. Com alguns percalços, que não dependem de mim, nem do médico, muito menos dos remédios, mas nada que a persistência e a paciência não sejam capazes de resolver.

O problema é tê-los. Sei disso.


Persistência e paciência à todos!!!

Não é só contigo. Persistência e paciência.

Uma das piores coisas que podem acontecer a um paciente com quadro depressivo, é a recaída.

Você começa a sentir tudo o que já sentiu um dia, de novo, e sabe de tudo o que vai passar, de novo, o que te acelera batimentos ainda mais, e te deixa ainda mais pra baixo, fazendo uma enorme bola de neve.

Infelizmente, a recaída é parte da nossa vida sim. Essa é a parte ruim.

A parte boa, é que, ao assistir ao vídeo do cachorro preto chamado depressão (postagem anterior - vídeo da ONS), passei a perceber que as coisas são assim e que, se um dia vai passar eu não sei. Mas que, e enquanto eu estiver por aqui, preciso lutar contra o cachorro preto no começo, mostrar para ele quem manda, e ensinar para ele alguns truques. Se ele for embora, ótimo! Que não encontre o caminho de volta.

Se não for embora, e eu consiga conviver com ele.

Este tempo todo que eu fiquei fora do Blog, estive envolvido em muito trabalho, algumas crises e alguns truques novos ao meu cachorro preto.

Neste momento, estou ensinando um truque novo para meu cachorro, aqui do quarto do hospital, onde infelizmente por uma sucessão de coisas erradas, tive uma pequena recaída e, me lembrei de um dos truques que eu poderia usar, que é escrever para vocês.

Quem vai ler? Não sei. Vai ajudar a alguém? Não sei. Mas olha que interessante:

Há cerca de três anos, tive de operar minha apêndice, ás vésperas de me casar. Lembro que isso foi extremamente tenso, extremante complicado e que, no amanhecer do dia seguinte do meu casamento, em função de quase não ter conseguido casar em função da cirurgia e etc, fora outros problemas, tive uma crise muito forte.

Voltando para o problema da apêndice, eu sentia que algo não estava normal, e que algo me incomodava. Procurei em 3,5 anos, por pelo menos 4 médicos que, todos disseram que eu não tinha nada.

Até que, no começo deste ano, fui à um outro médico, de um hospital de referência, que, de imediato, diagnosticou como uma hérnia, fruto da cirurgia de apêndice mal finalizada. Enfim, eu precisava operar, pois era grave e poderia ter mais problemas se eu não cuidasse.

Assim o fiz em abril deste ano de 2015. Tudo correu muito bem, até semana passada, cerca de 30 dias, onde tive uma infecção e fui internado às pressas.

Para complicar, o hospital, que é particular, de referência, e que eu não pago um plano de saúde barato, não tinha leitos, e tive de ficar 36 horas em uma maca no pronto socorro, comendo pouco - tenho 136 kg e me davam sopa -  e só depois disso, arrumaram um quarto provisório no próprio pronto socorro mesmo, e na sexta a noite, me conseguiram um quarto, e só no sábado a noite, depois de muita briga, e discussão, de verdade, não só minha, mas de minha esposa também, acertaram a minha refeição e fiquei mais confortável.

Tudo isso, serviu para contar à vocês duas coisas:

a)            Não. Você não é a única pessoa no mundo que tem o direito de sofrer com coisas que dão errado;
b)           Todo meu tratamento, que tinha sido redirecionado - vou contar sobre isso na próxima postagem - foi pro espaço, e tive uma nova recaída nos sintomas da ansiedade/pânico;

Agora? Voltar com mais força do lema persistência e paciência.

É o que me resta. Alguém duvida ou tem algum nova opção?


domingo, 8 de junho de 2014

Eu tinha um cachorro preto, seu nome era depressão.

Segundo a OMS, mais de 350 milhões de pessoas no mundo, possuem depressão.
Prazer, sou uma delas, e acredito que, se você que está lendo agora este artigo também a tem, um dos seus maiores problemas é tentar explicar para alguém o que você realmente tem, o que você realmente sente, seja para desabafar, ou até mesmo na forma de um pedido de ajuda.
No começo de 2014, tive acesso à dois artigos em jornais/sites diferentes, que me chamaram atenção para este vídeo promovido pela OMS, que, embora mostre a depressão e seus desafios de uma forma um pouco mais adocicada, é bem interessante por dois pontos: ele é capaz de mostrar ao depressivo que, ele não é exclusivo nos seus sentimentos e problemas, além de que, se alguém que é seu amigo, ou familiar que te queira bem, ao assistir este vídeo, terá uma diferente perspectiva do que você sente e do que você vive, com grandes chances de que você consiga um novo apoio na sua luta.
E lembre-se: Persista, persista e persista. Se no final de tanta persistência, você se sentir cansado e pensar em desistir, persista mais um pouco, até que a vontade de persistir volte.