Era agosto de 2007, eu tinha 28 anos e 04 meses. Pouca idade, uma séria de histórias vividas, uma série de desafios passados, onde boa parte deles foram um estopim de algo terrível que estava por vir para uma mente ainda não preparada, que, mesmo já com bom tempo em construção, sequer tinha seus alicerces construídos: depressão.
A ideia do texto não será construir um vitimismo barato, ou buscar a pena de ninguém. Daí acho desnecessário entrarmos a fundo nos motivos que me levaram ao quadro da depressão, e posteriormente, à síndrome de pânico. Mas foram momentos que não desejo a um inimigo (se é que tenho).
Para mim, que vivia acostumado aos tropeços cotidianos, não ter sono a noite, e, quando conseguia dormir acordava sem motivos no meio da noite e com os olhos arregalados, sentava na cozinha esperando o sono vir, com batimentos acelerados, tudo isso era normal, afinal, "o dia tinha sido difícil no trabalho".
Eram sinais.
Enfim, tudo veio, e se você não tem noção do que é ter depressão e pânico, vou tentar usar exemplos bem próximos da prática que possa ter acontecido um dia na sua vida, e vejamos se eu vou conseguir dar nexo ao que é inexplicável ao leigo: tudo se torna uma mistura de um medo absurdo de algo que você não sabe o que é, e que, quando passa, você tem medo que volte de novo e pronto, volta e o medo é maior que da última crise. É um círculo vicioso criado pela sua mente. Neste caso estou falando apenas do pânico.
Da depressão? Bom, esta é uma tristeza semelhante aquele fim de relacionamento quando você era um adolescente, onde sente um aperto no peito e uma angustia sem fim, onde tudo que consegue fazer é chorar. Com a diferença que você não perdeu nenhum relacionamento, ou ente querido. Daí surge um novo círculo vicioso: por que estou assim? Eu tenho saúde, tenho trabalho, tenho amigos, tenho saúde, não devia estar assim, e quando você vê envolvo às cobranças que você cria em cima de tudo isso, bingo! Sua tristeza é maior ainda, pois você "percebe estar fazendo mal as pessoas que quer bem, sem que tenha nenhum problema".
É muito provável que você tenha voltado no texto umas duas vezes para tentar entender o que foi escrito. Se isso aconteceu, é porque você nunca esteve nem perto de uma depressão ou pânico. Se voltou, leu e continua querendo voltar porque ainda não entendeu, desista de voltar. Você não vai entender.
Agora, se você leu, entendeu na primeira e sentiu como se fosse você quem estivesse escrevendo, estamos juntos. E tenho boas notícias: está na sua mão sair disso tudo.
Li muita porcaria na internet durante o período desesperador que é o que você está mal e não encontra a cura, ou a melhora para seu quadro. Minha ideia neste texto é mostrar quem manda em quem, e o poder da determinação e força de vontade nossa em nossas vidas.
Acredite, eu levei mais de 06 anos para conseguir. Neste tempo, acordar era querer dormir, dormir era não querer acordar, e viver era querer estar em casa dormindo.
Tudo isso, construção da mente. Algo está errado, e ela está mandando em você.
Neste período, eu que era uma pessoa que praticava muitos esportes e tinha relativos hábitos saudáveis, desisti de tudo isso, e me entreguei ao sofá e a cama, que era o que me dava calma e conforto até esperar que a noite viesse e que eu pudesse torcer para que ao acordar no dia seguinte eu não sentisse e passasse por tudo aquilo de novo. Engordei mais de 40 kg.
Cheguei ao ponto de não conseguir me olhar no espelho. Cheguei ao ponto de além de não me olhar no espelho, "comer para afogar as mágoas".
Com 1,8m de altura, 135kg de peso, passei por alguns problemas de saúde, afinal, era obvio que isso ia acontecer. Foi o estopim para que eu tomasse algumas decisões, e que isso fosse então um marco para mim, onde eu comecei a aprender que, "quem manda em nossa mente é a gente".
Eu precisava fazer algo. Era notório. Resolvi então me matricular no judô. Sim, justamente no judô, um esporte que é uma luta, onde os treinos são extremamente fortes, onde o kimono é pesado e quente, e onde todo santo dia que eu pensava que eu tinha de ir, me dava uma pequena crise ainda dentro do carro e eu quase desistia. Mas não. "Quem manda na nossa mente é a gente". Era uma mensagem automática para a minha cabeça. Chega a ser engraçado, mas imagine eu, sentado dentro do carro, conversando comigo e dizendo: "-você vai. Você não manda em mim. Você está gordo, você precisa, e vai entrar naquele dojo, vestir o kimono, ralar e provar pra você quem mandar nisso". Funcionava. Até o treino começar, era o caminho do calvário que eu percorria.
Mas, percebi que estava funcionando.
Até que, no começo deste ano, decidi que eu tinha um novo desafio a fazer para mim: voltar a me olhar no espelho. Para isso, eu tinha quase 40kg a perder. Pesquisei, fui atrás, e comecei um tratamento médico com nutrólogo e nutricionista. Só Deus, eu e minha esposa sabe como tem sido nos últimos 3 meses para mim, em especial a frase "quem manda na minha mente sou eu".
Tenho comido coisas que nunca comi, tenho me deixado de comer coisas que adoro tudo por um foco, uma meta que tracei para mim, que era perder os 40kg.
Em 3 meses, foram 18kg. Sendo sincero? Os 40kg é a parte exigente de mim que quer. Fico feliz se forem 35 embora.
Moral da história?
Foco, metas, desafios e zero vitimismo.
Se estou com depressão e pânico, vou pesquisar e vou buscar auxílio profissional de psiquiatra, psicólogo e remédios (eu vou ao médico regularmente e tomo medicamentos até hoje, sem problemas, vivendo uma vida normal).
Se minha saúde apresenta problemas, e eu estou a fim de ficar sentado no sofá comendo bobeiras e etc, a responsabilidade é minha. Poderia estar fazendo um esporte e segurando a onda da porcaria para o fim de semana. Se estou gordo e só sei falar que "não sei por que sou gordo", é uma opção também.
Mas na boa? Se desafie. Faça a pergunta para você sobre quem está mandando, se é você ou sua mente.
O jogo pode ser mudado. Basta querer. Não a sua mente, mas você!!!


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