terça-feira, 1 de novembro de 2022

O bipolar

Na minha ultima postagem, eu falava sobre ter sido diagnosticado como bipolar. Ao tempo que por um lado eu vi que tinham descoberto algo novo que eu não ouvia em mais de 10 anos, eu pensei: “e agora?”

Então... o agora é melhor do que o passado, do antes de ser diagnosticado como bipolar. Porém, ainda não é uma maravilha.

De tempo em tempo recebo visitas do cachorro preto, porém, com a experiência adquirida, consigo perceber a sua chegada com certa antecedência, e corro anotar e, a medida que os fatos começam a se tornar recorrentes, relato ao meu psiquiatra e isso acaba refletindo em uma alteração de dosagem de medicamentos, na troca de algum ou em último caso, na inclusão de algum outro.

A realidade é: os picos ficam cada vez mais intensos à medida que não fazemos nada com os sentimentos, daí pode ser tanto no sentido de emocional como físico, acontecem. Você se manter sempre alerta aos sinais que sua mente e seu corpo dão e a ação prévia com seu médico, é o que vai dosar a intensidade do pico de mania ou de depressão que você vai enfrentar.

Estou sempre atento à sinais de nervosismo em excesso em especial com coisas sem motivo, respiração com suspiros fortes durante o dia sem que nada tenha acontecido, da mesma forma que me sentir fragilizado emocionalmente com coisas sem importância e também, eventuais calafrios na nuca e couro cabeludo ou sensação de medo sem estar em situação de risco.

Eu acredito que tudo isso seja variável de pessoa para pessoa, mas, cada um se conhece e sabe o que é normal ou não. Eu por exemplo, estou passando por uma das fases não legais. O que senti? Tudo isso ai que escrevi. O que estou sentindo? Uma tristeza moderada, uma vontade de não estar em lugar nenhum, e as pernas totalmente inquietas. Estou ainda em fase de adaptação dos medicamentos em função dos ajustes que o médico fez.

Tenho na minha cabeça que eu poderia estar pior, talvez em um pico de depressão profunda se não tivesse agido em tempo e lá no começo, quando eu escrevei que ainda não é uma maravilha, é verdade... ainda mais quando se tem família em casa, amigos no trabalho e você quer dar o máximo de uma pessoa alegre que um dia foi e não consegue, isso machuca a gente e até prejudica no tratamento. Mas, não podemos baixar a guarda.

Nossa, mas além de ter isso, tem que tomar remédio e ficar adivinhando o que vem? Sim. Infelizmente, os transtornos psiquiátricos não são iguais a uma diabete, que não é menos grave, mas pelo menos tem um “aparelhinho” que o doente mede os níveis de insulina...

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