Tenho 35 anos, sou casado,
diga-se de passagem, bem casado, e vou escrever como é viver a dois, mas não
com a minha esposa, e sim, com uma velha senhora chamada depressão.
Há cerca de 07 anos, convivo com
esta senhora, e, já tivemos péssimos momentos, ainda mais os que foram
acompanhados de um parente próximo, chamado de síndrome do pânico.
Muita coisa se passou em 07 anos.
Muita mesmo.
A depressão é hoje uma das
doenças que tem se tornado mais comum, e
que, embora haja vários estudos, não lí em nenhum deles, falando claro na minha
leitura de leigo, pois não sou formado em psiquiatria ou psicologia, nada que
afirme a origem da depressão, do pânico e suas causas. Existem sim fortes
indícios que levam a medicina e a psicologia a considerar desde fatores externos
no ambiente que a pessoa vive e que tenham afetado a mesma negativamente ou
acredite, positivamente de maneira muito expressiva, até mesmo fatores
genéticos com relação à falta ou baixa produção de alguns hormônios e
neurotransmissores por alguns indivíduos, ou até mesmo, deficiente em seu
processamento.
Para começar a escrever sobre o
assunto, de fato eu deixo uma preciosa dica:
Saiba o que lê, e tenha condições
de entender o que está escrito, e, principalmente, se vale a pena ser lido.
Geralmente, pessoas que escrevem
sobre o tema depressão, se são pacientes, e não psiquiatras ou psicólogos,
tendem a manifestar seus sentimentos, ou seja, acabam escrevendo sentimentos
próprios sobre a doença, e muitas vezes pela força da própria doença, acabam não
escrevendo algo que de fato proceda e que, se você, acometido pela depressão,
no desespero de se curar, procura uma informação, e a recebe de forma errada,
pode com certeza processar isso mais errado ainda.
Portando, a premissa é: procure
um psiquiatra, e também um psicólogo antes de qualquer coisa.
Depois a leitura sobre o assunto
é interessante fazê-la, até mesmo para que você possa saber o que está
enfrentando.
Voltando ao ponto onde falava
sobre meu caso, estou há 07 anos lutando contra a velha senhora depressão, e
seu parente próximo, a síndrome de pânico.
Que eu me recorde, passei por 05
psiquiatras, e 03 terapeutas até hoje, e, cheguei a muitas suposições e poucas
conclusões sobre o que me fez entrar para o seleto grupo dos deprimidos e
apavorados pelo pânico.
Em mim, a doença se manifestou em
uma fase conturbada, de dívidas, insatisfações com escolhas profissionais,
acusações sérias contra mim no trabalho, e um fim de relacionamento muito
conturbado, associado ao fato de pouca maturidade para solução destes
problemas, em especial, somados.
A depressão dá alguns sinais de
que está chegando. Ela não chega sem aviso. O problema é que, não a aceitamos
e, principalmente no meu caso, sexo masculino, a primeira reação é: frescura,
viadagem e etc.
Falta de sono, sono em excesso,
vontade de ficar sozinho, pensar demais na vida, seja por muito tempo, ou
muitas vezes, sentir apertos no peito sem motivo, pernas inquietas e etc.,
foram sintomas que eu tive. Vamos voltar na parte do saber filtrar o que está
escrito e como conduzir isso. Isso foram sintomas que eu sentí. Não necessariamente
você senti-los quer dizer que tem depressão ou pânico.
Mas enfim, tudo isso foi
acontecendo, até o dia em que me ví em tamanha tristeza, que, além de não
entender o que acontecia, estava muito assustado. Acredite, os sintomas são
assustadores. Você se sente como uma criança que está apavorada, treme o corpo
inteiro, sente medo, não quer ficar na presença de ninguém e o que costumo
brincar é que, para eu explicar a alguém que não é doido, como é sentir tudo
isso, é mais ou menos imaginar os sentimentos que você teve quando tinha uma
namoradinha(o) na juventude, tomou um pé na bunda, e sentiu o chão desabar,
perdeu o apetite, achava que ia morrer e etc. Lembrou deste sentimento?
Péssimo, não? Potencialize-o. Pois é
isso de uma forma destruidoramente mais forte.
Enfim, conseguiram me convencer,
no caso a minha família, de que não era frescura, não era viadagem e que eu não
era louco. Mas, estava com problemas e precisava passar por um psiquiatra.
Fui medicado com Frontal®, Lexapro®,
Pondera®, Rivotril® e por fim, Alenthus®.
Já vegetei, de babar literalmente
com as doses cavalares de Frontal® que me foram prescritas, já tive efeitos
colaterais como náuseas, dor de cabeça, tremedeira a cada desmame ou alteração
na dose dos inibidores de recaptação de serotonina (ISRS).
A depressão, o pânico e outras
doenças da mente, não são como doenças de outras especialidades médicas que, é
possível se extrair um pedacinho de um órgão, e dar um remédio que, rapidamente
alivia a dor ou cura. Na grande maioria dos casos, é tentativa e erro,
tentativa e acerto. O médico, em cima do que você está relatando a ele, vai
tentar com sua experiência sobre o que ele sabe que os medicamentos podem
fazer, tentar um ou outro, e mudar as doses tentando acertar, e ele só vai
saber se está acertando, se eventualmente, ele errar.
Infelizmente, depois destes 07
anos, percebi que, a demais áreas da medicina, não encaram com muita seriedade
a depressão, o pânico e outras doenças da mente. Quanto eu estava passando pelo
meu primeiro ataque de pânico, eu achei que estava tendo uma crise de
hipertensão, tamanho meu cansaço, ardência e queimação no rosto, pele vermelha
e literalmente sentir meu coração bater à minha garganta.
Me atenderam, disseram que eu não
tinha nada e me mandaram para casa.
Não existe um psiquiatra
plantonista em nenhum hospital que eu tive acesso até hoje. Pode ser que em
algum lugar haja, mas não fui um dos contemplados com esse atendimento.
Enfim, concluindo este artigo inicial,
quero apenas lhe mostrar que, o começo é terrível, é péssimo, achamos que vamos
morrer (de verdade), e ficamos desesperados.
A notícia ruim é que, mesmo você
procurando um psiquiatra, os medicamentos não vão fazer efeito antes de uns 20
dias, que é quando seu cérebro acostuma com a nova química e começa então a
reduzir os sentimentos ruins. Por isso é importante procurar ajuda o quanto
antes.
A notícia boa é que, das coisas
ruins que vão acontecer, você vai ficar muito chateado, vai querer abrir mão de
muita coisa, mas vai perceber que tem uma força tremenda dentro de você,
disposta a não se entregar, e que esta mesma força, unida aos medicamentos e
terapia, vão lhe ajudar a evoluir.
A depressão e o pânico não surgem
do nada, e principalmente, não é culpa sua, ou o demônio agindo em você. Da
mesma forma que lhe aconselho a ignorar comentários idiotas de ignorantes que
vão lhe chamar de manhoso(a), fresco(a), e etc, alguns alucinados vão lhe
afirmar que isso é possessão demoníaca ou algo do tipo.
Não é.
Em novas postagens, vou contar
mais experiências minhas e dar algumas dicas de leitura, ou de vídeos que vão
ajudar a passar pelo problema enfrentando-o de cabeça erguida.
Até lá, o lema é: Persista,
persista e persista. Se no final de tanta persistência, você se sentir cansado
e pensar em desistir, persista mais um pouco, até que a vontade de persistir
volte.
Nenhum comentário:
Postar um comentário