domingo, 8 de junho de 2014

Vivendo a dois.

Tenho 35 anos, sou casado, diga-se de passagem, bem casado, e vou escrever como é viver a dois, mas não com a minha esposa, e sim, com uma velha senhora chamada depressão.
Há cerca de 07 anos, convivo com esta senhora, e, já tivemos péssimos momentos, ainda mais os que foram acompanhados de um parente próximo, chamado de síndrome do pânico.
Muita coisa se passou em 07 anos. Muita mesmo.
A depressão é hoje uma das doenças que tem se tornado mais comum,  e que, embora haja vários estudos, não lí em nenhum deles, falando claro na minha leitura de leigo, pois não sou formado em psiquiatria ou psicologia, nada que afirme a origem da depressão, do pânico e suas causas. Existem sim fortes indícios que levam a medicina e a psicologia a considerar desde fatores externos no ambiente que a pessoa vive e que tenham afetado a mesma negativamente ou acredite, positivamente de maneira muito expressiva, até mesmo fatores genéticos com relação à falta ou baixa produção de alguns hormônios e neurotransmissores por alguns indivíduos, ou até mesmo, deficiente em seu processamento.
Para começar a escrever sobre o assunto, de fato eu deixo uma preciosa dica:
Saiba o que lê, e tenha condições de entender o que está escrito, e, principalmente, se vale a pena ser lido.
Geralmente, pessoas que escrevem sobre o tema depressão, se são pacientes, e não psiquiatras ou psicólogos, tendem a manifestar seus sentimentos, ou seja, acabam escrevendo sentimentos próprios sobre a doença, e muitas vezes pela força da própria doença, acabam não escrevendo algo que de fato proceda e que, se você, acometido pela depressão, no desespero de se curar, procura uma informação, e a recebe de forma errada, pode com certeza processar isso mais errado ainda.
Portando, a premissa é: procure um psiquiatra, e também um psicólogo antes de qualquer coisa.
Depois a leitura sobre o assunto é interessante fazê-la, até mesmo para que você possa saber o que está enfrentando.
Voltando ao ponto onde falava sobre meu caso, estou há 07 anos lutando contra a velha senhora depressão, e seu parente próximo, a síndrome de pânico.
Que eu me recorde, passei por 05 psiquiatras, e 03 terapeutas até hoje, e, cheguei a muitas suposições e poucas conclusões sobre o que me fez entrar para o seleto grupo dos deprimidos e apavorados pelo pânico.
Em mim, a doença se manifestou em uma fase conturbada, de dívidas, insatisfações com escolhas profissionais, acusações sérias contra mim no trabalho, e um fim de relacionamento muito conturbado, associado ao fato de pouca maturidade para solução destes problemas, em especial, somados.
A depressão dá alguns sinais de que está chegando. Ela não chega sem aviso. O problema é que, não a aceitamos e, principalmente no meu caso, sexo masculino, a primeira reação é: frescura, viadagem e etc.
Falta de sono, sono em excesso, vontade de ficar sozinho, pensar demais na vida, seja por muito tempo, ou muitas vezes, sentir apertos no peito sem motivo, pernas inquietas e etc., foram sintomas que eu tive. Vamos voltar na parte do saber filtrar o que está escrito e como conduzir isso. Isso foram sintomas que eu sentí. Não necessariamente você senti-los quer dizer que tem depressão ou pânico.
Mas enfim, tudo isso foi acontecendo, até o dia em que me ví em tamanha tristeza, que, além de não entender o que acontecia, estava muito assustado. Acredite, os sintomas são assustadores. Você se sente como uma criança que está apavorada, treme o corpo inteiro, sente medo, não quer ficar na presença de ninguém e o que costumo brincar é que, para eu explicar a alguém que não é doido, como é sentir tudo isso, é mais ou menos imaginar os sentimentos que você teve quando tinha uma namoradinha(o) na juventude, tomou um pé na bunda, e sentiu o chão desabar, perdeu o apetite, achava que ia morrer e etc. Lembrou deste sentimento? Péssimo, não? Potencialize-o.  Pois é isso de uma forma destruidoramente mais forte.
Enfim, conseguiram me convencer, no caso a minha família, de que não era frescura, não era viadagem e que eu não era louco. Mas, estava com problemas e precisava passar por um psiquiatra.
Fui medicado com Frontal®, Lexapro®, Pondera®, Rivotril® e por fim, Alenthus®.
Já vegetei, de babar literalmente com as doses cavalares de Frontal® que me foram prescritas, já tive efeitos colaterais como náuseas, dor de cabeça, tremedeira a cada desmame ou alteração na dose dos inibidores de recaptação de serotonina (ISRS).
A depressão, o pânico e outras doenças da mente, não são como doenças de outras especialidades médicas que, é possível se extrair um pedacinho de um órgão, e dar um remédio que, rapidamente alivia a dor ou cura. Na grande maioria dos casos, é tentativa e erro, tentativa e acerto. O médico, em cima do que você está relatando a ele, vai tentar com sua experiência sobre o que ele sabe que os medicamentos podem fazer, tentar um ou outro, e mudar as doses tentando acertar, e ele só vai saber se está acertando, se eventualmente, ele errar.
Infelizmente, depois destes 07 anos, percebi que, a demais áreas da medicina, não encaram com muita seriedade a depressão, o pânico e outras doenças da mente. Quanto eu estava passando pelo meu primeiro ataque de pânico, eu achei que estava tendo uma crise de hipertensão, tamanho meu cansaço, ardência e queimação no rosto, pele vermelha e literalmente sentir meu coração bater à minha garganta.
Me atenderam, disseram que eu não tinha nada e me mandaram para casa.
Não existe um psiquiatra plantonista em nenhum hospital que eu tive acesso até hoje. Pode ser que em algum lugar haja, mas não fui um dos contemplados com esse atendimento.
Enfim, concluindo este artigo inicial, quero apenas lhe mostrar que, o começo é terrível, é péssimo, achamos que vamos morrer (de verdade), e ficamos desesperados.
A notícia ruim é que, mesmo você procurando um psiquiatra, os medicamentos não vão fazer efeito antes de uns 20 dias, que é quando seu cérebro acostuma com a nova química e começa então a reduzir os sentimentos ruins. Por isso é importante procurar ajuda o quanto antes.
A notícia boa é que, das coisas ruins que vão acontecer, você vai ficar muito chateado, vai querer abrir mão de muita coisa, mas vai perceber que tem uma força tremenda dentro de você, disposta a não se entregar, e que esta mesma força, unida aos medicamentos e terapia, vão lhe ajudar a evoluir.
A depressão e o pânico não surgem do nada, e principalmente, não é culpa sua, ou o demônio agindo em você. Da mesma forma que lhe aconselho a ignorar comentários idiotas de ignorantes que vão lhe chamar de manhoso(a), fresco(a), e etc, alguns alucinados vão lhe afirmar que isso é possessão demoníaca ou algo do tipo.
Não é.
Em novas postagens, vou contar mais experiências minhas e dar algumas dicas de leitura, ou de vídeos que vão ajudar a passar pelo problema enfrentando-o de cabeça erguida.

Até lá, o lema é: Persista, persista e persista. Se no final de tanta persistência, você se sentir cansado e pensar em desistir, persista mais um pouco, até que a vontade de persistir volte.

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